Filhos do caralho!
Aprendizes de encéfalos!
Bebedores do moderno!
Tragam metafisica, sopram concreto
Engolem inlucidez, cagam razão
Respiram libido, é negam o amor!

Confundem nossas mentes, com lagrimas de não dor
Mentem friamente, as mentiras que contaram!
Fingem não sentir!
Em uma confortavel poutrona; deliciando-se de falsos risos.

‘Um minuto moderno’

Estamos sempre falando de amor - mas não amamos
Fazemos passeatas em prol da paz - mas não deixamos de lutar
Exigimos ferozmente nossos direitos - mas esquecemos de demonstrar respeito
Reclamamos da corrupção - mas não perdemos uma oportunidade de sermos desonestos nas mínimas ações
Prometemos - e não cumprimos
Pedimos confiança - e traímos
Ansiamos pela vida - mas a sabotamos, diariamente
Queremos atenção constante - mas ignoramos
Imploramos perdão - e somos os primeiros a apontar o dedo
E vivemos no antagonismo nosso de cada dia, confortavelmente, acolhidos pela nossa auto-comiseração milenar.
É SONO esse tempo em que nos recolhemos
e VIGÍLIA aquele em que nos excedemos
excesso maior o do SONHO entre tempos
o tempo em que indivisos
nos preparamos a sê-lo mais ainda em partilha
mutantes imperfeitos do seu sentido.
Vai chegar o dia em que eu vou fugir de todas as rotas.
Das rotinas.
Dos rótulos.
E a retina não mais refletirá o nojo das esquinas urinadas, dos amontoados de lixo
jogados aos pés de postes que não iluminam.
Das rotinas.
Dos rótulos.
E a retina não mais refletirá o nojo das esquinas urinadas, dos amontoados de lixo
jogados aos pés de postes que não iluminam.
Essa pretensão soberba
de acertar escolhas, de escolher amores, amigos e falar alto
pra dar mais verdade
a essas idéias tão profundamente intrincadas;
como se eles soubessem a fórmula
de alguma poção mágica
e a guardassem a salvo dos patetas,
vis, ordinários e miseráveis,
dentro de conceitos esculpidos cuidadosamente
através dos séculos,
No fundo de uma postura enciclopédica
que dissimula objetivos torpes,
porque o mundo é uma seara orgulhosa onde só os eleitos
têm vez.

Produzimos letras,
no ansioso branco
do papel, surdo
emudecido.

Entregamos a alma à escrita,
arte falada, viva arte
sob as luzes da ribalta
revivida.
Atos reais, orais,
de múltiplas linguagens,
veredas simbólicas,
encenados.
Nos palcos tornamos,
o imaginário,
na cena definitiva.

Somos, matematicamente,
formados
por números irracionais tendendo,
no limite,
a racionalidade integral.
Múltiplos comuns, primos entre si,
elevados ao quadrado da hipotenusa,
dividem, minimamente,
o raio e a raiz,
quadrados que somos.

Nessa sequência lógica me perco,
subtraio sem multiplicar,
somo, sem dividir,
encontro,
no infinito paralelo das retas,
a duvidosa união dos conjuntos.

Somos todos animais trajando roupas elegantes. Debaixo de cada vestido, esconde-se a mais pura luxúria. Debaixo de cada camisa de seda, esconde-se um estômago faminto que faz com que o homem cometa os crimes mais vis ou se submeta às humilhações das convenções burguesas. Debaixo de cada chapéu, escondem-se os mais terríveis pensamentos… Pensamentos de luxúria, ambição, ira, gula, tudo…
No mundo hiper-alfabetizado que compartilhamos na hiper-realidade em que nos deparamos, esquecemos como a literatura é vivida a partir do exterior. De fora do código há um índice ideal de complexidade e desdobramento invisível. Mesmo no analfabetismo, o código é entendido como conter conteúdo.
Se engana quem quiser,quando se põe a pensarque é alguma coisa.eu, por minha vez,escolho como abrigoos braços do seu Gerúndio,no tempo do sendo.é – mais seguro,sendo – mais sábio.vendo minhas relíquias de pensamentoe meu baú de vícios,acomodação do que sou,e compro um vestido novo,amarelo,pra combinar com o solque anda fazendo.amanhã pode até chover,mas eu não serei, nem sou,eu sendo.

Se engana quem quiser,
quando se põe a pensar
que é alguma coisa.
eu, por minha vez,
escolho como abrigo
os braços do seu Gerúndio,
no tempo do sendo.

é – mais seguro,
sendo – mais sábio.

vendo minhas relíquias de pensamento
e meu baú de vícios,
acomodação do que sou,
e compro um vestido novo,
amarelo,
pra combinar com o sol
que anda fazendo.

amanhã pode até chover,
mas eu não serei, nem sou,

eu sendo.